Ciência & vida prática

A Lua quase sumiu nesta madrugada. O que exatamente aconteceu?

Na noite de 27 para 28 de agosto, a sombra da Terra cobriu 96,2% do disco lunar. Foi um eclipse parcial — no papel. Para quem olhou, pareceu muito perto de um total.

Redação Danski28 de agosto de 20265 min de leitura
Lua avermelhada durante um eclipse lunar
Lua durante eclipse total de março de 2025, usada como referência visual. Foto: Tomruen/Wikimedia Commons, CC0 1.0.

Se você ficou acordado na madrugada, viu a Lua perder quase toda a sua iluminação sem desaparecer do céu. Não era nuvem, mudança de fase nem um truque de perspectiva: era a própria Terra bloqueando a luz do Sol que normalmente ilumina nosso satélite.

Segundo o Observatório Nacional, o eclipse começou pela penumbra às 22h24 de quinta-feira. A parte mais evidente começou às 23h34, quando a Lua entrou na umbra — a região escura da sombra terrestre. O máximo ocorreu às 1h13 desta sexta-feira, com 96,2% do disco obscurecido. A fase parcial terminou às 2h52 e a penumbral, às 4h02.

Por que não acontece em toda Lua cheia?

A Lua cheia acontece aproximadamente uma vez por mês, mas a órbita lunar é inclinada cerca de cinco graus em relação ao plano da órbita da Terra. Na maior parte dos meses, a Lua passa um pouco acima ou abaixo da sombra terrestre.

O eclipse aparece quando a Lua cheia ocorre perto de um dos pontos em que esses planos se cruzam. É também por isso que eclipses solares e lunares costumam aparecer na mesma temporada, separados por cerca de duas semanas.

A Lua não produz luz própria. Durante um eclipse, vemos em tempo real o que acontece quando a Terra entra no caminho da luz que chegaria até ela.

Se foi parcial, por que pareceu quase total?

Porque “parcial” descreve a geometria, não o impacto visual. Para ser total, todo o disco lunar precisa entrar na umbra. Desta vez faltou pouco: o Observatório Nacional calculou 96,2% de obscurecimento no máximo.

A pequena faixa que permaneceu fora da umbra ficou muito mais brilhante que o restante, criando um contraste forte. O resultado foi uma Lua quase inteiramente mergulhada na sombra.

Dois tipos de sombra

Penumbra e umbra não são a mesma coisa

Penumbra: é a parte mais clara da sombra. A Lua perde um pouco de brilho, mas a mudança pode ser difícil de perceber.

Umbra: é a sombra mais escura. Quando a Lua entra nela, a “mordida” do eclipse fica evidente a olho nu.

E de onde vem o vermelho?

Mesmo dentro da sombra, alguma luz solar atravessa a atmosfera terrestre e é desviada em direção à Lua. A atmosfera espalha mais os comprimentos de onda azulados e deixa passar melhor os avermelhados — o mesmo princípio que ajuda a produzir tons vermelhos e alaranjados no nascer e no pôr do Sol.

Em um eclipse total esse efeito pode pintar o disco inteiro. No evento desta madrugada, por ser parcial profundo, a região sombreada também pôde adquirir tons avermelhados.

Quando teremos outro assim?

O calendário próximo é menos generoso para o Brasil. O Observatório Nacional informa que os dois eclipses lunares de 2027 serão penumbrais, muito mais discretos. Em janeiro de 2028 haverá um eclipse parcial visível em todo o país, mas apenas 2,4% da Lua ficará obscurecida.

Para um eclipse lunar total visível em todo o Brasil, será preciso esperar até a noite de 25 para 26 de junho de 2029. A madrugada de hoje, portanto, foi uma oportunidade incomum: um evento simples de observar, seguro e quase total acontecendo literalmente na sombra do nosso próprio planeta.